Última e decisiva reunião do COPOM no ano de 2024, o fim da era de Roberto Campos Neto

Dólar dispara acima de R$6: Copom pode acelerar alta dos juros para conter pressão econômica e inflacionária. O que esperar dessa e das próximas reuniões da autarquia.

ECONOMIA

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12/11/20242 min read

A Decisão Final do Ano sobre a Taxa Selic: Um Marco para a Economia Brasileira

Nesta quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil enfrentará uma das mais desafiadoras decisões do ano: a definição da taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic. Este momento é particularmente crucial em um contexto em que o país busca consolidar sua posição no cenário global, enquanto enfrenta pressões internas e externas.

Atualmente, a Selic encontra-se em 11,25% ao ano, após um ciclo de cortes iniciado em meados de 2023, que teve como objetivo estimular a economia e reduzir os custos de financiamento. O mercado financeiro está dividido quanto à magnitude do corte esperado: as expectativas variam entre 0,75 e 1,00 ponto percentual. Essa decisão não apenas determinará o rumo imediato da política monetária, mas também oferecerá pistas sobre como o Banco Central enxerga o ambiente econômico deste fim de 2024.

Os Desafios da Decisão

O cenário econômico brasileiro é complexo. Por um lado, a inflação apresenta sinais de desaceleração, permitindo espaço para cortes nos juros. Por outro, há preocupações quanto ao ritmo de crescimento econômico e ao cumprimento das metas fiscais pelo governo federal. Adicionalmente, a comparação com economias vizinhas, como a da Argentina, que enfrenta uma profunda crise cambial e fiscal, reforça a necessidade de uma abordagem equilibrada e cautelosa.

O Copom é composto por nove membros, incluindo o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que participa de sua última reunião à frente da instituição. Em janeiro de 2025, Gabriel Galípolo, indicado pelo governo, assumirá a presidência da autarquia. Essa transição de liderança levanta questões sobre o futuro da política monetária brasileira. Galípolo enfrentará a pressão de manter a credibilidade técnica do Banco Central, enquanto navega por um ambiente político frequentemente crítico à independência da instituição.

Os Impactos Esperados

Qualquer que seja a decisão anunciada hoje, seus impactos serão amplamente sentidos. Uma redução mais agressiva nos juros poderia impulsionar o consumo e o investimento, mas também aumentar os riscos de pressões inflacionárias no futuro. Por outro lado, um corte mais conservador poderia sinalizar ao mercado uma postura cautelosa, mantendo a confiança na política de combate à inflação, mas com menor impacto imediato na atividade econômica.

O fim do ciclo de Roberto Campos Neto será marcado por esta decisão, que também servirá como referência para o novo presidente do Banco Central. A votação dos membros do Copom será acompanhada de perto, pois cada voto representará uma visão sobre as condições econômicas atuais e as expectativas para o futuro.

Reflexões Sobre o Futuro

A chegada de Gabriel Galípolo ao comando do Banco Central em 2025 trará novos desafios e incertezas. Embora a independência da instituição tenha sido estabelecida legalmente, as influências políticas ainda representam um risco significativo. A postura de Galípolo será fundamental para definir se o Brasil continuará a seguir uma abordagem técnica e baseada em evidências, ou se cederá às demandas do governo por uma política monetária mais expansionista.

No final da tarde de hoje, o país terá mais clareza sobre o rumo da economia e sobre a percepção do Banco Central em relação aos desafios do presente e do futuro. Independentemente do resultado, a decisão marcará um capítulo importante na história recente da política econômica brasileira.