Golpes assolam recursos esquecidos do Sistema de Valores a Receber do Banco Central.
Mais de R$ 7,18 bi de reais em recursos esquecidos ainda não foram sacados nos valores a receber do sistema do Banco Central. BC já devolveu mais de R$ 4,43 bilhões de reais.


Os cidadãos brasileiros que possuem recursos esquecidos dentro do sistema financeiro nacional, ainda não sacaram cerca de R$ 7,18 bilhões de reais até o fim de junho deste ano, valores divulgados pelo Banco Central (BC) nesta última segunda-feira (7) de agosto.
O Bacen também reforça o cuidado que correntistas devem ter com golpes de vigaristas que alegam fazer a intermediação dos processos para supostos saques de valores a receber. A autarquia frisa que todo o processo de pesquisa e saque é gratuito, que não envia links nem entra em contato para tratar sobre os devidos assuntos ou para confirmar dados.
Frisa também que apenas as instituições financeiras que possuem os valores represados podem entrar em contato, o órgão pede que nenhum cidadão forneça suas senhas e dados pessoais, e relembra que ninguém está autorizado a realizar tal tipo de serviço.
Após mais de um ano fora do ar, o Sistema de Valores a Receber do Bacen foi reaberto em março deste ano, com novas fontes de recursos, uma nova ferramenta nos sistemas de agendamento e a possibilidade de resgate de valores de pessoas falecidas. Somente no mês de março, foram regatados mais de R$ 505 milhões esquecidos, segundo o Banco Central.
Segundo estatísticas do Sistema de Valores a Receber que são divulgadas com dois meses de defasagem, até agora o sistema devolveu R$ 4,43 bilhões até um fim de junho para 15.047.629 correntistas que resgataram algum valores que tinham a receber, isso representa cerca de apenas 27% do total de mais de 54.975.627 correntistas incluídos na lista à receber valores represados na casa dos R$ 11,61 bilhões de reais, ou seja, ainda existe mais de 70% dos valores em torno de R$ 7 bilhões de reais para serem contestados e sacados.
Em sua grande maioria das pessoas e empresas que ainda não sacaram os recursos, possuem direitos a pequenas quantias. Os valores a receber de até 0,10 centavos concentram 63% dos beneficiários. Dos que ainda não fizeram o resgate, 37 milhões são pessoas físicas e 2.8 milhões, pessoas jurídicas.
Dentre as melhorias no sistema, as novidades estão na inclusão de uma sala de espera virtual, onde os usuários podem realizar consultas no mesmo dia, sem precisar de um cronograma por ano de nascimento ou de fundação da empresa, como era feito antes. Também, existe as possibilidades de imprimir protocolos e telas, para compartilhamento via Whatsapp, assim como a consulta de valores esquecidos por pessoas já falecidas, com acesso para herdeiros diretos, testamentário, representante legal ou o inventariante. O novo sistema permite também maior transparência para quem possui conta conjunta, informando a instituição e a faixa de valor a receber. Se um dos usuários solicitar algum valor a receber, o outro correntista ao acessar o sistema, conseguirá ver os dados do recurso solicitado e quem solicitou.
Também foram incluídas novas fontes de recursos que não estavam no sistema do ano passado, como: contas correntes ou poupança encerradas; recursos não procurados de grupos de consórcios encerrados; tarifas cobradas indevidamente; parcelas e despesas em operações de crédito e financiamento cobradas indevidamente; e cotas de capital de participantes de cooperativas de crédito.

