Banco do Brasil vê seu lucro reduzir em 60% no balanço do segundo tri.
BBAS3 tem redução na sua margem de lucro, deixa de apresentar cerca de R$ 1 bilhão em receitas sobre dívidas com prazo superior a 90 dias. A decisão de mudança de 2021, entrou em vigor neste ano (2025).
NEGÓCIOSBANCOSINVESTIMENTOS
Fairtrade Capital Marketing
8/14/20253 min read


Lucro do Banco do Brasil cai no primeiro semestre do ano com aumento da inadimplência. A empresa de ticker BBAS3 teve lucro líquido ajustado do primeiro semestre em R$ 11,2 bilhões, queda de 40,7% em relação ao mesmo período do ano passado.
Já seu resultado no segundo trimestre do ano ficou em R$ 3,8 bilhões, um recuo de 60% em relação ao mesmo período do ano passado. Um BB informou que atravessa um momento de ajustes para expandir-se futuramente.
Os dados foram divulgados nesta noite de quinta-feira, dia 14 de agosto de 2025. O banco também apresentou retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) de de 8,4% neste segundo tri.
Em janeiro, uma nova resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN), entrou em vigor. Nela, a instituição financeira altera normas de contabilidade o que resultou na interferência direta dos resultados. Aprovada em 2021, estas novas regras só entraram em funcionamento neste ano.
Pelas nova regras, a identificação das novas receitas de juros das operações consideradas de estágio 3 (dívidas com atrasos superiores a 90 dias) pelo regime de caixa fez com que o banco não considerasse cerca de R$ 1 bilhão em receitas. O novo regime só permite o reconhecimento dessas receitas, quando o mesmo encontra-se efetivamente no caixa da instituição.
Esta resolução, não muda apenas o modelo de provisões para perdas esperadas, mais que isso, ela afeta a maneira como algumas despesas e receitas são reconhecidas nos balanços.
Dividendos
Devido a queda nos lucros, o BB reduziu para 30% a parcela de distribuição de dividendos, ante os 40 que eram distribuídos anteriormente. Os dividendos da estatal tiveram uma redução nas projeções, no Relatório Bimestral de Receitas e Despesas, de R$ 43,4 bilhões para R$ 41,9 bilhões no ano de 2025. O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Cerol, afirmou que a queda se devia à diminuição de dividendos pagos aos governo.
Carteira de Crédito
Sua carteira expandida, subiu 11,2% na comparação do mesmo período do ano passado, os dados divulgados nesta quinta (14), em R$ 1,24 trilhões. Alta registrada de 1,3% entre um tri e outro. Já na pessoa física, a carteira de crédito subiu R$ 342,6 bilhões, referentes a alta de 8%, na pessoa jurídica, a expansão foi para R$ 468 bilhões, alta de 14,7%. Na categoria que mais chamou a atenção nos resultados da companhia, o agronegócio, a carteira teve alta de 8%, a R$ 404,9 bilhões.
Despesas administrativas aumentaram em 4,7%, correspondentes a R$ 9,7 bilhões. Com destaque para o maior crescimento em despesas de pessoal, em R$ 6,4 bilhões antes R$ 6,1 bi no 4T24.
Declaração da companhia
"Diante disso, tomamos ações imediatas que incluem a revisão dos fluxos de cobrança, priorização de desembolsos no contexto da matriz de resiliência, maior concessão em
linhas que possuem mitigadores ou fundos garantidores e o reforço do relacionamento cada vez mais próximo e resolutivo junto aos clientes”
"O ano de 2025 é de ajuste para aceleração do crescimento. Projetamos lucro entre R$ 21 e 25 bilhões e seguimos com investimentos estruturantes para geração de riqueza aos nossos acionistas, oferecendo a melhor experiência e soluções mais adequadas aos nossos clientes. Isso passa pelo relacionamento pautado pela proximidade, pelo uso intensivo de tecnologia e capacitação permanente dos nossos funcionários,” destaca a presidente do BB, Tarciana Medeiros."
Suas perdas esperadas nos empréstimos cresceram 89,3% neste semestre, em R$ 31,6 bilhões, e demonstram o aumento da inadimplência na carteira do agronegócio e de Micro, Pequenas e Médias Empresas.
"O resultado de BBAS3 não chama atenção apenas para o agronegócio, mas também para as Micro, Pequenas e Médias Empresas, que em um cenário de juros altos, onde a taxa Selic se encontra nos 15% a.a., empreendedores enfrentam dificuldades para honrar com suas obrigações, em um cenário desafiador do mercado de trabalho". Comenta Eurípedes Afonso Neto, sócio gestor da Fairtrade Capital.